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Carnaval da Bicharada de Cametá é tema de exposição temática na FCP

  • Publicado: Quarta, 24 de Janeiro de 2018, 22h06
  • Última atualização em Quarta, 24 de Janeiro de 2018, 22h06
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Arara, macaco, sapo, jacaré, boto são algumas das fantasias que o público poderá conferir na exposição “De Cametá à Belém: Caminhos da Bicharada de Mestre Zenóbio” que abre nesta quinta-feira, 25, às 17h, no hall Ismael Nery, no prédio sede da Fundação Cultural do Estado do Pará (FCP).

A mostra marca o início da programação do Carnaval 2018 da FCP que contará ainda com o Desfile da Escola de Samba Crias do Curro Velho, agendado para o dia 3 de fevereiro, e dos bailes populares de carnaval que serão realizados na praça do Artista do Centur, nos dias 9 e 10 de fevereiro.

Bicharada - Mestre Zenóbio Gonçalves tem 70 anos e há 43 se dedica na arte de produzir fantasias de animais. Em Juaba, Cametá, no coração da Amazônia Paraense, essas fantasias tomam a proporção de manifesto ecológico na Bicharada criada em 1975 por Mestre Zenóbio.

Segundo a apresentação da exposição feita pelo técnico em gestão cultural da FCP, Renato Torres, o desejo de aliar a preservação da natureza com a manifestação popular do folguedo foi tomando forma nas mãos do Mestre artesão. Mestre Zenóbio partiu de materiais que incluíam restos vegetais, sarrapilheira e malva, até chegar aos insumos sintéticos industriais (pelúcia, isopor, TNT, espuma), “o que permitiu um aprimoramento da técnica, e a criação de “esculturas vivas” de fidelidade impressionante, que podem ser comparadas aos parangolés e penetráveis de Hélio Oiticica: uma obra que se veste e que se faz vibrar, um espaço que se preenche com movimento e festejo; uma alegoria que explode em alegria carnavalesca”, comenta.

Prêmio - Reconhecido em 2017 pelo Prêmio Manifestações Culturais da Fundação Cultural do Pará (FCP), Mestre Zenóbio relata que toda esta diversidade de animais da fauna, principalmente amazônica, foi criada com o objetivo de conscientizar a sociedade da relação homem – natureza, aproximando as espécies do mundo animal com as pessoas, abrindo os olhos da sociedade para a importância da preservação da ambiental.

Na época, em 1975, ele teve a ideia de criar um cordão carnavalesco que tratasse de maneira crítica esta relação do homem com a natureza, envolvendo também questões políticas. “Queríamos trazer uma mensagem da floresta para as pessoas, mostrando as dificuldades dos animais com a devastação das matas, com a poluição ambiental e como eles sobrevivem”, diz.

Com o passar dos anos e diversas apresentações durante todos os anos, o fundador do cordão acredita que a união entre o homem e natureza foi alcançada. No começo, ele conta que o público ainda se assustava bastante com os animais gigantes que invadiam a cidade para animar a população. Atualmente, segundo ele, é tudo bastante diferente.

“Hoje me dia, aonde quer que a gente se apresente, é uma felicidade. Crianças, jovens, adultos e idosos se unem aos bichos. As pessoas tinham medo da gente. Nós tínhamos uma regra de não tirar as máscara e fantasias após o desfile porque queríamos conquistar o povo como bicho e não como gente”, afirma.

Segundo o Mestre Zenóbio, com tanto tempo de tradição, cada vez mais pessoas procuram participar do cordão. O que começou com cerca de 20 bichos, hoje já passam de 120 representações animalescas de várias espécies. “Só desfilávamos em comunidade pequenas. Mas diversas vezes recebemos convites para desfilar em avenidas e tivemos que criar fantasias maiores, mostrando vários animais diferentes. E é muita gente que quer participar”, revela.

Exposição

O Cordão da Bicharada impressiona. A delicadeza dos detalhes na construção de cada bicho é fascinante. E para quem quer ver de perto cada bicho, a Fundação Cultural do Pará, por meio da Diretoria de Interação Cultural (DIC), promove esta exposição gratuita ao público, a partir do dia 25 de janeiro, no hall Ysmael Nery, no Centur.

Para o Mestre Zenóbio, ser reconhecido e contemplado pelo Prêmio Manifestações Culturais da FCP de 2017 é gratificante e é também o reconhecimento de um trabalho duro de mais de 40 anos. “Com o prêmio consegui criar parte dos meus bichos aqui em Belém. A premiação chegou na hora certa porque todo mundo me cobrava: ‘seu Zenóbio, cadê a bicharada?’ Então, é muito gratificante pra mim. É uma satisfação mesmo porque é um trabalho de muitos anos”, comemora.

Ainda ele, com a chegada dos carnavais de blocos de abadás em Cametá, o Cordão da Bicharada foi perdendo espaço, mas não tirou da memória a tradição de quem já viu, desfilou ou conhece a importância da consciência ambiental proposta pelo cordão. “Hoje em dia é mais fácil o brincante vestir um abadá e andar pelas ruas. E para vestir uma fantasia dessa aqui tem que ter responsabilidade porque é um sacrifício. Ele não está representando ele, ele está representando o bicho”, finaliza.

Quem quiser conhecer o trabalho do Mestre Zenóbio pode participar do workshop “Por trás da fantasia” que será realizado durante a abertura da exposição nesta quinta-feira, 25.

Serviço: Abertura da exposição “De Cametá à Belém: Caminhos da Bicharada de Mestre Zenóbio

Data: 25 de janeiro de 2018 (Quinta-feira)

Hora: 17h

Local: hall Ismael Nery – Centur –

Entrada Franca. A exposição fica aberta para visitação até o dia 10 de fevereiro.

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