Quatro décadas de promoção da arte, cultura, leitura e formação profissional são comemorados em 2026 pela Fundação Cultural do Pará (FCP). Criada em 1986, a instituição nasceu com a missão de fomentar, preservar e difundir bens culturais, garantindo o acesso da população às diversas linguagens artísticas e aos saberes de ofícios, por meio do ensino, da experimentação, pesquisa e extensão.
Localizada em área central de Belém, na Avenida Gentil Bittencourt, a Fundação Cultural do Pará consolidou-se ao longo de décadas como importante porta de acesso à cultura, à leitura, ao lazer e à capacitação artística. Com alcance em todas as regiões do Estado, a FCP desenvolve suas ações a partir de quatro grandes eixos: formação, leitura e informação, incentivo à cultura e programação artística.
“A Fundação Cultural do Pará está na história de vida de boa parte dos paraenses. Seja pelos cursos e oficinas de iniciação artística que oferece, pelos eventos que promove ou pelas atividades de incentivo à leitura, por meio das bibliotecas, que têm seus acervos ampliados através de nosso edital de cessão de obras de autores paraenses”, destaca o presidente da FCP, Thiago Miranda.
Ele ressalta que “o incentivo à cultura ocorre por meio de editais, prêmios, leis de incentivo e linhas de financiamento destinadas à pesquisa, produção e difusão cultural em diferentes áreas artísticas e socioculturais. Paralelamente, a Fundação mantém uma intensa agenda de programações e eventos, com espetáculos, mostras, exposições e atividades culturais realizadas em seus teatros, cinemas, galerias, auditórios e espaços abertos”.
Fomento à leitura - Somente nos últimos cinco anos, a Biblioteca Pública Arthur Vianna atendeu presencialmente 394 mil pessoas, e registrou 208 mil acessos de usuários de diversos países ao seu acervo digital de obras raras e de referência.
No mesmo período, a Coordenação de Promoção à Leitura atendeu nove das 12 regiões de Integração do Pará, 28 municípios e 17 mil pessoas com os projetos "Têm Leitura no Quilombo" e "Caravana da leitura", e com Ações de Qualificação de Agentes Culturais.
Qualificação - A Fundação também promove ações de qualificação de agentes culturais, com oficinas e workshops voltados à mediação de leitura, contação de histórias, brinquedotecas e práticas lúdicas literárias. Entre 2021 e 2025, essas formações tiveram 929 participantes, em 28 municípios.
Por meio do Edital de Cessão de Obras Raras de Autores Paraenses, foram entregues, entre 2021 e 2025, 665 mil livros para bibliotecas públicas, escolas, hospitais e unidades prisionais, nas 12 regiões de Integração.
Estrutura física - A FCP também administra cinco prédios históricos em Belém e uma unidade no interior. A sede da instituição abriga importantes equipamentos culturais, como a Biblioteca Pública Arthur Vianna, o Centro de Eventos Ismael Nery, Teatro Margarida Schivasappa, Cine Líbero Luxardo, as galerias Theodoro Braga e Benedito Nunes, e a Fonoteca Pública Satyro de Mello.
O espaço conta ainda com halls expositivos, mercado cultural e duas praças internas, utilizadas em grandes eventos.
Formação e inclusão artística - Outro importante espaço é o Núcleo de Oficinas Curro Velho, dedicado à formação artística e à produção cultural, com salas de aula, teatro, anfiteatro, biblioteca e o Núcleo de Práticas de Ofício e Produção, onde são realizados cursos, oficinas e programações diversas.
Outra unidade da FCP é a Casa da Linguagem, que concentra ações voltadas à literatura e à linguagem verbal, dispondo de biblioteca, auditório/cinema, galeria e salas destinadas a cursos e oficinas.
O terceiro espaço externo é a Casa das Artes, destinada à qualificação em arte e ofício, com forte presença nas áreas de economia criativa e audiovisual, oferecendo auditório/cinema, galeria, biblioteca, sala de dança e espaços de formação.
A Fundação também administra o Teatro Experimental Waldemar Henrique, tradicional palco para espetáculos de teatro, música e dança na capital paraense.
Expansão - Em abril de 2025, a FCP ampliou sua atuação com a entrega da Estação Cultural Marabá, no sudeste do Pará. O espaço foi criado para promover cursos, oficinas, eventos literários e mostras artísticas voltadas ao fortalecimento da cultura regional, à inclusão digital e ao incentivo à leitura. A estrutura conta com biblioteca, auditório, cineclube, laboratório de informática e espaços multiuso, para atividades culturais e educativas.
Histórias - Ao longo de quatro décadas, a história da Fundação Cultural do Pará também é construída por sua equipe profissional. Uma dessas trajetórias é a de Francisca Gomes, que acompanha a instituição desde o início.
Contratada por uma empresa terceirizada em 1985, Francisca trabalhou inicialmente em serviços gerais durante as obras do prédio do antigo Centur, que passou a sediar a Fundação. Após a instituição começar a funcionar, ela continuou atuando no local, até se tornar servidora. Atualmente, Francisca trabalha na área de catalogação de livros da Biblioteca Pública Arthur Vianna.
“Trabalhei na obra durante sete meses. Depois da inauguração continuei trabalhando aqui, e fui passando por vários setores do prédio. Fiz testes em vários lugares, trabalhei nos balcões de atendimento e vim para a catalogação de livros. Era para ficar dois meses, mas estou aqui até hoje. Graças a Deus, é um trabalho que eu gosto muito”, conta a servidora.
Outra trajetória que se destaca nesses 40 anos é a de Ranulfo Campos, servidor da Biblioteca Pública Arthur Vianna desde a criação da Fundação. Ele atua no setor de hemeroteca, responsável pelo arquivo de jornais, e tornou-se conhecido entre pesquisadores e frequentadores.
Ranulfo Campos fala sobre o privilégio de trabalhar em uma instituição que presta um serviço essencial à sociedade, e lembra das amizades construídas ao longo dos anos com estudantes, pesquisadores e autores.
“Eu me sinto privilegiado por trabalhar em um órgão público, que presta um serviço tão importante para a sociedade. Aqui tive contato com muitas pessoas, desde estudantes fazendo seus trabalhos acadêmicos até autores que vieram pesquisar para escrever livros. Com o tempo, criamos amizades. Tenho mais de 20 livros autografados por pesquisadores que passaram por aqui e quiseram agradecer pela ajuda”, relata.